Há dois factos inegáveis: a Capital Europeia da Cultura e o Mundo acabam no mesmo dia: 21 de Dezembro. Como podemos almejar um melhor e mais estrondoso espectáculo de encerramento? O Apocalipse estará, seguramente, entre os melhores projectos de performance deste ano. Cientes deste sucesso garantido, os responsáveis pela programação estão a trabalhar afincadamente para permitir a todos os Vimaranenses uma entrada digna no céu. A quase todos, vá.
De acordo com plano actual, estão previstas as seguintes actividades :
02:00 - Sismo de 9.5 na escala de Richter - epicentro no Pio IX. Poderá chegar a 9,6, se o Pio IX estiver lotado de carros a essa hora da madrugada, como habitualmente.
03:00 Consequente derrocada da montanha da Penha abalroa novas instalações da Escola Preparatória João de Meira e do Liceu de Guimarães, silenciando permanentemente o alarme avariado e os apitos estridentes que desde há um ano teimam em se fazer ouvir nas piores horas.
07:00 Árvores do novo Jardim da Alameda começam a arder sob acção dos primeiros raios solares, queimando as lâmpadas fluorescentes em forma de estendal e fornecendo finalmente uma nova iluminação assente em tons quentes, para essa zona da cidade.
09:00 Precipitação diluviana de galináceos (essencialmente frangos). Sendo uma zona de altíssima pressão, o Estádio Municipal D. Afonso Henriques receberá a maior parte da chuvada.
10:00 Colina Sagrada entra em erupção. Através de complicados cálculos de física efectuados por dois calceteiros que trabalharam no novo Toural, espera-se conseguir que as pedras do Castelo e Paço dos Duques aterrem ordenadamente no local do actual Círculo de Arte e Recreio, construindo automaticamente uma nova e condigna Sede para esta instituição.
12:00 Lava resultante da erupção derrete calcanhares da estátua de Afonso Henriques, recordando a lenda do primeiro Rei de Portugal que, além de Vimaranense, era aleijadinho e foi trocado por outro, segundo rezam algumas más línguas. Representantes da cidade de Viseu poderão tentar roubar a estátua antes de esta ser atingida, sendo que a PSP estará de prevenção.
13:30 Monumental Feijoada na Adega dos Caquinhos.
13:50 Novo sismo e explosão na parte baixa da cidade, com epicentro na Travessa dos Caquinhos, de intensidade 9.8, podendo ser de 9.9 conforme a chouriça e a morcela do repasto sejam mais ou menos gordas.
16:30 Queda de meteorito no Campo República do Brasil (vulgo Campo da Feira), formando uma cratera gigantesca e causando a extinção maciça de todos os dinossauros políticos da região. Para a eventualidade de o mundo não acabar mesmo em 21 de Dezembro, prevê-se que este gigantesco anfiteatro será o novo Multiusos de Guimarães, onde se poderão realizar futuramente eventos tão significativos e ecléticos como o encontro das cruzes no Domingo de Páscoa; o quadrigésimo nono concerto de Tony Carreira em Guimarães; a triagem de indivíduos em coma alcoólico durante as Nicolinas ou mesmo um "Concerto para Cachecóis e Orquestra", pela Fundação Orquestra Estúdio.
18:30 - Enorme saraivada destrói Biblioteca Municipal Raul Brandão. Os responsáveis explicam a escolha deste local com a sua falta de uso. Caso o mundo não acabe, erguer-se-á aqui uma dependência da Câmara Municipal, exclusivamente dedicada a tratar das coimas por estacionamento em lugar proibido (prevê-se um grande aumento dessas ocorrências).
20:00 - Encenação da peça “Arrependei-vos ó Mamões!", nos claustros do Museu Alberto Sampaio, sob Direcção de Cena do Papa Bento XVI. A Igreja Católica propôs ao Governo Central a suspensão de todas as idas à casa de banho durante essa hora, para que assim todos os Portugueses possam assistir e participar no Ofertório. Alberto João Jardim e a ilha da Madeira recusaram pagar, alegando que o mundo, tal como o dinheiro e a mama, não acabam em 2012. Nesta encenação, todos os aspectos que possam lembrar riqueza ou vaidade serão purgados, excepto os sapatos Prada do detentor da cadeira de S. Pedro.
21:00 Arraial Minhoto na Plataforma das Artes, seguido de Arraial de Porrada no Largo do Toural.
23:00 - Rio Couros transborda, provocando gigantesco tsunami que arrasa o Novo Mercado Municipal, para gáudio dos feirantes. Poucos minutos depois, nível da água atinge muralha “Aqui nasceu Portugal”. Centenas de emocionados habitantes da cidade de Viseu compraram já todos os lugares disponíveis no telhado da Caixa Geral de Depósitos.
23:58 - Numa parceria entre a Universidade do Minho, os Velhos Nicolinos e o CERN, os robots Nico & Lino tentarão finalmente descobrir a partícula Bosão de Higgs, recriando o Big Bang (o início do Universo) na Torre dos Almadas.
23:59 Fim do Mundo.
24:00 - Escuridão total. Silêncio quase absoluto. Ouve-se apenas, ao longe, o leve esvoaçar de notas de 500 euros que brotam de dentro dos destroços do Palácio Vila Flor…
Tiago Simães
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quinta-feira, 1 de março de 2012
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Ouvem-se tambores no Céu!
O Submarino abre a porta do seu blog aos seus ouvintes/bloggers com um texto sobre o Cozy Powell de autoria da Mók:
COZY POWELL, Dez anos da morte de uma lenda.
Estava a pensar escrever sobre o Robert Palmer, aquele que começou um dia a tocar com a Elkie Brooks, numa banda chamada Vinegar Joe, quando, repentinamente, descobri algo muito triste. O Cozy Powell morreu.
Estava eu quase a ir à Expo 98 quando tudo isto aconteceu. Faz agora dez anos, no dia 5 de Abril. Havia mau tempo na região de Bristol em Inglaterra. Ía a caminho de casa no Berkshire, ao volante do seu carro na M4, enquanto falava com a namorada ao telefone. Alta velocidade, distracção e pouca sorte levaram-no para uma morte súbita e inesperada.
Tinha acabado de sair do estúdio onde se encontrava a gravar com o ex Fleetwood Mac Peter Green.
Para a história fica uma invejável discografia. Participou em 66 álbuns, bem como teve outras aparições menores num grande número de outros.
Na verdade, creio que se perdeu um dos maiores bateristas da história do rock!
O Cozy nasceu em Cirencester, uma cidade no centro sul de Inglaterra, que tem mais ou menos a mesma distância, a sul, a Ilha de Wight, a oeste Newport e a leste Londres. Para quem nasceu em 1947, viver naquele local deve ter sido uma loucura. Poder ir a Festivais como Wight, Newport ou Reading, que também não era longe… Ele esteve lá! Viu a história ao vivo e participou nela.
Aos quinze anos andava no liceu e pensava dedicar-se ao teatro. Teve um primeiro contacto com a bateria e Xau! Aos quinze já era o baterista da sua primeira banda, os Corals. Foi logo classificado como um excelente baterista.
Francamente, não sei o nome dele mas sei que o Cozy foi buscá-lo a uma tremenda lenda, o baterista de jazz Cozy Cole.
É claro que esta vocação ía dar-lhe cabo da educação. O liceu passou à história e foi então trabalhar para um escritório. Foi só para ganhar uns dinheiritos para comprar a sua primeira bateria. Entretanto passou por um mal menor chamado “The Sorcerers”, uma banda pop. Na realidade, a banda até escapava.
Nos anos sessenta tocou até bastante, especialmente na Alemanha. Cerca de 1968 voltam para Inglaterra baseando-se em Birmingham. É aí que, uma certa noite, enquanto tocava num bar, foi ouvido a primeira vez por uns rapazes que lá estavam a curtir. Para os mais velhotes não são desconhecidos os senhores Robert Plant e John Bonham, o Noddy Holder, que viria a ser o vocalista dos “Slade”. Também lá estava o Dave Pegg e o Tony Iommi.
Os “Sorcerers” mudam de nome para “Youngblod” no fim dos anos sessenta. Era o meu pai mais novo que eu, mas pronto.. Entretanto o baixista dos “Move Ace Kefford” junta-se à banda e assim nascem os “Ace Kefford Stand”.
O Cozy junta-se com os ex “Sorcerers” Dave e Dennis Bell e forma os “Big Bertha”. Tocou em 1970 no Festival da Ilha de Wight e nesse mesmo ano ingressou na banda do senhor Jeff Beck. Em 1972 a banda do Jeff Beck desfaz-se.
Algum trabalho vai aparecendo mas a sua vida está relativamente estabilizada. Mickie Most, o empresário do Jeff Beck, arranja-lhe umas participações para Chrysalis Records. Mickie Most e Cozy colaboraram em trabalhos de diversos artistas para a editora RAK, incluindo com Julie Felix, “Hot Chocolate”, “Donovan” e “Suzi Quatro”. Foi neste período que o Most consegue convencer o Cozy para gravar um single instrumental de um tema chamado “Dance with the Devil.” Este chegou ao número 3 dos tops de singles no Reino Unido. Uma inteira geração de bateristas inspirou-se neste tema para se lançar no mundo da música.
No meio de tudo isto, o amor de Cozy Powell pela velocidade levava-o à competição. Correu quer com motos, quer com automóveis.
Em 1976 juntou-se à banda de Ritchie Blackmore, os “Rainbow”, e em 1980 foi considerada a sua entrada para os “Led Zepelin”. A ideia era substituir o John Bonham que tinha morrido depois de beber uns copos a mais ao pequeno almoço. Quatro vodkas quadruplos, 16 shots de dois terços de imperial com 4 decilitros de vodka cada um, e uma sandes de frango que parece que lhe caiu mal.
Mesmo assim o Cozy não chegou a entrar para os “Led”.
A participação dos “Rainbow” no primeiro espectáculo “Monsters of Rock” em Donington Castle foi um assombro. Mesmo assim Cozy deixa a banda logo a seguir, juntamente com Graham Bonnet, vocalista, com quem faz uma banda de nome “Graham Bonnet & the Hooligans”. O seu trabalho de maior projecção foi um single, “Night Games”, lançado em 1981.
Entretanto Cozy foi tocando com outras bandas. Em 1981 com Michael Schenker Group, com os “Whitesnake” de 1982 a 1984. Foi então que Keith Emerson e Greg Lake o convidam para uma banda de nome “Emerson, Lake & Powell”. Esta é uma banda emergente dos originais “Emerson, Lake and Palmer” a quem se junta também Gary Moore; estávamos em 1989.
O seu mais famoso projecto é a banda Black Sabbath onde participa entre 1988 e 1991, voltando a ela de novo entre 1995 e 1996. Os fans da Sabbath consideram Cozy Powell o melhor de todos os bateristas da banda.
Entre 1992 e 1993, vai para tour com um projecto pessoal de nome “Cozy Powell's Hammer” onde a figura principal é ele próprio. Neil Murray é o baixo, Mario Parga na guitarra e Tony Martin como vocalista, garantem um som de elevada qualidade.
Algo maravilhoso acontece quando Brian May convida Cozy Powell, Neil Murray e Gary Moore, ex “Whitesnake” e Black Sabbath, para com ele participarem no álbum “Back to the Light”. Este foi o primeiro álbum de Brian May depois dos “Queen”.
No espectáculo “Use your Ilusion” em 1993, Cozy Powell e Brian May abrem o espectáculo dos “Guns and Roses”.
Um período de reflexão, algumas participações e descanso esporádico, iria seguir-se, estando projectada a participação de Cozy Powell com os “Gun” em 1998.
Assim chegámos de novo ao pricípio da história, mas sem mais nada para contar. Morreu um dos melhores bateristas de sempre.
Senhoras e senhores, Cozy Powell deixou a Terra.
COZY POWELL, Dez anos da morte de uma lenda.
Estava a pensar escrever sobre o Robert Palmer, aquele que começou um dia a tocar com a Elkie Brooks, numa banda chamada Vinegar Joe, quando, repentinamente, descobri algo muito triste. O Cozy Powell morreu.
Estava eu quase a ir à Expo 98 quando tudo isto aconteceu. Faz agora dez anos, no dia 5 de Abril. Havia mau tempo na região de Bristol em Inglaterra. Ía a caminho de casa no Berkshire, ao volante do seu carro na M4, enquanto falava com a namorada ao telefone. Alta velocidade, distracção e pouca sorte levaram-no para uma morte súbita e inesperada.
Tinha acabado de sair do estúdio onde se encontrava a gravar com o ex Fleetwood Mac Peter Green.
Para a história fica uma invejável discografia. Participou em 66 álbuns, bem como teve outras aparições menores num grande número de outros.
Na verdade, creio que se perdeu um dos maiores bateristas da história do rock!
O Cozy nasceu em Cirencester, uma cidade no centro sul de Inglaterra, que tem mais ou menos a mesma distância, a sul, a Ilha de Wight, a oeste Newport e a leste Londres. Para quem nasceu em 1947, viver naquele local deve ter sido uma loucura. Poder ir a Festivais como Wight, Newport ou Reading, que também não era longe… Ele esteve lá! Viu a história ao vivo e participou nela.
Aos quinze anos andava no liceu e pensava dedicar-se ao teatro. Teve um primeiro contacto com a bateria e Xau! Aos quinze já era o baterista da sua primeira banda, os Corals. Foi logo classificado como um excelente baterista.
Francamente, não sei o nome dele mas sei que o Cozy foi buscá-lo a uma tremenda lenda, o baterista de jazz Cozy Cole.
É claro que esta vocação ía dar-lhe cabo da educação. O liceu passou à história e foi então trabalhar para um escritório. Foi só para ganhar uns dinheiritos para comprar a sua primeira bateria. Entretanto passou por um mal menor chamado “The Sorcerers”, uma banda pop. Na realidade, a banda até escapava.
Nos anos sessenta tocou até bastante, especialmente na Alemanha. Cerca de 1968 voltam para Inglaterra baseando-se em Birmingham. É aí que, uma certa noite, enquanto tocava num bar, foi ouvido a primeira vez por uns rapazes que lá estavam a curtir. Para os mais velhotes não são desconhecidos os senhores Robert Plant e John Bonham, o Noddy Holder, que viria a ser o vocalista dos “Slade”. Também lá estava o Dave Pegg e o Tony Iommi.
Os “Sorcerers” mudam de nome para “Youngblod” no fim dos anos sessenta. Era o meu pai mais novo que eu, mas pronto.. Entretanto o baixista dos “Move Ace Kefford” junta-se à banda e assim nascem os “Ace Kefford Stand”.
O Cozy junta-se com os ex “Sorcerers” Dave e Dennis Bell e forma os “Big Bertha”. Tocou em 1970 no Festival da Ilha de Wight e nesse mesmo ano ingressou na banda do senhor Jeff Beck. Em 1972 a banda do Jeff Beck desfaz-se.
Algum trabalho vai aparecendo mas a sua vida está relativamente estabilizada. Mickie Most, o empresário do Jeff Beck, arranja-lhe umas participações para Chrysalis Records. Mickie Most e Cozy colaboraram em trabalhos de diversos artistas para a editora RAK, incluindo com Julie Felix, “Hot Chocolate”, “Donovan” e “Suzi Quatro”. Foi neste período que o Most consegue convencer o Cozy para gravar um single instrumental de um tema chamado “Dance with the Devil.” Este chegou ao número 3 dos tops de singles no Reino Unido. Uma inteira geração de bateristas inspirou-se neste tema para se lançar no mundo da música.
No meio de tudo isto, o amor de Cozy Powell pela velocidade levava-o à competição. Correu quer com motos, quer com automóveis.
Em 1976 juntou-se à banda de Ritchie Blackmore, os “Rainbow”, e em 1980 foi considerada a sua entrada para os “Led Zepelin”. A ideia era substituir o John Bonham que tinha morrido depois de beber uns copos a mais ao pequeno almoço. Quatro vodkas quadruplos, 16 shots de dois terços de imperial com 4 decilitros de vodka cada um, e uma sandes de frango que parece que lhe caiu mal.
Mesmo assim o Cozy não chegou a entrar para os “Led”.
A participação dos “Rainbow” no primeiro espectáculo “Monsters of Rock” em Donington Castle foi um assombro. Mesmo assim Cozy deixa a banda logo a seguir, juntamente com Graham Bonnet, vocalista, com quem faz uma banda de nome “Graham Bonnet & the Hooligans”. O seu trabalho de maior projecção foi um single, “Night Games”, lançado em 1981.
Entretanto Cozy foi tocando com outras bandas. Em 1981 com Michael Schenker Group, com os “Whitesnake” de 1982 a 1984. Foi então que Keith Emerson e Greg Lake o convidam para uma banda de nome “Emerson, Lake & Powell”. Esta é uma banda emergente dos originais “Emerson, Lake and Palmer” a quem se junta também Gary Moore; estávamos em 1989.
O seu mais famoso projecto é a banda Black Sabbath onde participa entre 1988 e 1991, voltando a ela de novo entre 1995 e 1996. Os fans da Sabbath consideram Cozy Powell o melhor de todos os bateristas da banda.
Entre 1992 e 1993, vai para tour com um projecto pessoal de nome “Cozy Powell's Hammer” onde a figura principal é ele próprio. Neil Murray é o baixo, Mario Parga na guitarra e Tony Martin como vocalista, garantem um som de elevada qualidade.
Algo maravilhoso acontece quando Brian May convida Cozy Powell, Neil Murray e Gary Moore, ex “Whitesnake” e Black Sabbath, para com ele participarem no álbum “Back to the Light”. Este foi o primeiro álbum de Brian May depois dos “Queen”.
No espectáculo “Use your Ilusion” em 1993, Cozy Powell e Brian May abrem o espectáculo dos “Guns and Roses”.
Um período de reflexão, algumas participações e descanso esporádico, iria seguir-se, estando projectada a participação de Cozy Powell com os “Gun” em 1998.
Assim chegámos de novo ao pricípio da história, mas sem mais nada para contar. Morreu um dos melhores bateristas de sempre.
Senhoras e senhores, Cozy Powell deixou a Terra.
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